Agitações políticas têm causado receio nos viajantes, mas não duvide, ainda vale a pena a visita. Por Bert Archer

 

O atual presidente da Turquia, Tayyip Erdogan é um líder autoritário, como cada vez mais líderes em todo o mundo. Dizer que isso é angustiante para os cidadãos do país é um eufemismo. Por isso, a Turquia tem sido pintada com tons bem escuros ultimamente, tanto por políticos locais quanto pela mídia global, convencendo os turistas a ficar longe. Mas com o turismo vem a troca de ideias, pelo menos se você for tagarela como os turistas deveriam ser (é muito mais divertido assim). Então, antes de decidir se vai ou não à Turquia (spoiler: você deve ir), saiba que há uma explicação para o que vem acontecendo lá.

Uma mesquita na histórica Istambul.

 

Por todo o tempo de existência da Europa, a transcontinental Turquia tem sido seu exato oposto. Embora o antigo império romano tenha mudado sua sede para a então chamada Constantinopla, houve uma séria cisão em 29 de maio de 1453. Foi nesse dia em que um jovem de 21 anos chamado Mehmed levou seu exército otomano para a cidade, que a partir de então se chamaria Istambul. Posteriormente, a estrita lei católica da Europa frequentemente contrastava com a combinação da lei sharia religiosa da lei secular do Império Otomano. No campo dos direitos religiosos e das mulheres, a Turquia, sob a combinação dessas duas leis, era então decididamente uma sociedade mais aberta do que a europeia. E a Europa não gostava disso naquele tempo, como ainda não gosta agora. No passado, os europeus se referiam aos sultões como exóticos, incompreensíveis, monstros cruéis e autocráticos totalmente diferentes de seus próprios líderes. As coisas não mudaram muito.

Visitar Istambul pela primeira vez é aprender sobre um lugar onde as coisas aconteceram muito antes do que a gente imagina possível. Istambul é o mais longevo núcleo de civilização do mundo moderno, escolhido como a nova capital romana por Constantino em 330 DC e tendo carregado o manto imperial até 1923. São 1.593 anos. Compare a outras cidades como Roma (839 anos), Addis Abeba (837), Atenas (654), Copenhague (600), Angkor (542), Londres (414) ou até mesmo os 868 da Babilônia (e é difícil visitar a Babilônia atualmente), e se torna aparente que nenhum lugar na Terra passou tanto tempo sendo o centro dos acontecimentos.

Ande pelas ruas dessa cidade moderna – e é uma cidade muito moderna – e você verá todos os meses dessa história gravados nas paredes, esculpidos na terra e impressos na comida.

Um prato de midye dolma. Foto cedida por ximena.

Há museus, masjids e igrejas por toda parte, e os ícones em Hagia Sophia, os tetos da Mesquita Azul, os mosaicos da Igreja de Chora e a panela de Abraão no palácio de Topkapi (quem diria que ele era o cozinheiro da família?) não podem ser ignorados.

Mas cara, essa comida.

Comece com o midye dolma, mexilhões recheados com arroz de ervas. Você pode comê-los em restaurantes, mas sugiro a rua, de preferência em algum lugar perto de uma das muitas praias da cidade. É uma experiência de texturas tanto quanto de sabor – o arroz atenua a maciez que alguns consideram desagradável nos mariscos. Sem falar nas especiarias e ervas desse arroz. Lascas de canela e pimenta vermelha, salsa e pimenta do reino, bem como pedaços de frutas e castanhas transformam esses pequenos moluscos em surpreendentes bombas de sabor. Uma camiseta vendida no pequeno hotel boutique Cloud 7 na movimentada Ebuzziya Street perto da Ataköy Marina diz: “A única mídia em que confio é midya dolma ”.

Falando em bombas – e não dá para não falar de bombas quando falamos de Istambul ou da Turquia em geral – tudo que dá pra fazer é colocar as coisas em perspectiva inserindo um pouco no contexto. A Turquia tem sofrido várias formas de violência tanto dos curdos quanto do ISIS. Não é recomendável viajar para qualquer lugar perto da fronteira com a Síria, a cerca de 1.000 km a leste de Istambul.

Um bazar turco.

Mas, em Istambul, não se justifica que os números de turistas tenham caído tão rapidamente (os navios de cruzeiro diminuíram de 300 para 30 no verão). Como resultado, 600 lojas no Grande Bazar fecharam suas portas. Veja bem: no ano passado, houve 80% menos mortes devido ao terrorismo em Istambul do que vítimas de violência armada em Chicago, que tem um quinto de tamanho da velha capital.

Istambul é uma das grandes cidades do mundo e a Turquia como um todo não é menos incrível. A bizarra paisagem da Capadócia com seu labirinto de grutas por onde passaram, e viveram, gerações de seres humanos de diferentes tempos, raças e credos… As lunares cascatas de Pamukkale (o palácio de algodão) e suas piscinas romanas com ruínas submersas… Os suntuosos monumentos fúnebres esculpidos nas montanhas rochosas de Fethiye… Realmente, a Turquia é tão especial que talvez não seja mesmo para qualquer um.

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Quer ver (e saborear) isso tudo? Temos uma viagem linda e segura à Turquia para você!

 

Tradução e adaptação do texto original de Bert Archer