Histórias de uma jornada pela Transiberiana durante o inverno com Steve English

 

Sibéria! Por 17 dias! Em Dezembro! Sei o que está pensando: Por que alguém no mundo ia querer fazer isso?! Mas se ainda está lendo esse post, sabemos mais uma coisa: Você está curioso pela resposta.

Com incríveis 13 milhões de metros quadrados de montanhas, lagos e campos levam do leste do s Montes Urais até o longínquo Oceano Pacífico, a vastidão da Sibéria é lendária. Suas imensas planícies têm atraído nômades, viajantes e exilados do Ocidente e do Oriente por séculos, dos antigos cavaleiros Citas ao Império Mongol aos Cossacos siberiano e Doutor Jivago. Com uma média de apenas três pessoas por quilômetro quadrado, é um dos melhores lugares do mundo para se perder e se encontrar de novo.

Horizontes infinitos próximo ao Lago Baikal. Foto de Svetlana S.

Ligando Moscow a Vladivostok e, essencialmente, à Europa e à Ásia, a Ferrovia Trans-Siberiana conecta as comunidades isoladas da região tanto com o resto do mundo quando umas com as outras. A rota inteira tem mais de 9 mil quilômetros, fazendo dela a ferrovia mais longa do mundo.

Leva uma semana, sem paradas, para ir de um extremo a outro da ferrovia, mas para apreciar realmente essa parte do mundo e todas as suas singulares vistas e experiências, é melhor ir com mais calma. Esticar a experiência ao longo de 17 dias realmente faz com que o espírito da Sibéria penetre sua alma. E se for durante o inverno, a beleza da região é ampliada a um nível imensurável.

 

Moscou: onde tudo começa

A capital da Rússia é onde começa a Transiberiana. Encomendada pelo Czar Alexandre III e inaugurada por seu filho Nicholas II, o último czar, a ferrovia representa uma conexão tangível com o passado imperial da Rússia. Explorar o Kremlin, a Catedral St. Basil e a Praça Vermelha com uma camada fresca de neve sob as botas dá uma vibe de triler de espionagem de guerra à jornada, uma sensação que você não teria em Julho.

 

Suzdal: A cápsula do tempo russa

Como uma das cidades mais antigas da Rússia, Suzdal ressoa história. Poupada em grande parte da praga das grandes construções de concreto que viraram a marca registrada do comunismo, você vai encontrar uma surpreendente coleção de prédios de arquitetura pré-guerra aqui, alguns construídos na época medieval. A principal atração é o Kremlin de Suzdal, uma cidadela protegida pela UNESCO coberta por abóbodas azuis com espirais douradas que parecem ainda mais mágicos sob os flocos de neve.

 

Yekateringburg: Fim da linha (para o czar)

Depois de atravessar os belos Montes Urais (e entrar oficialmente na Ásia), a próxima parada de destaque é Yekaterinburg. Aqui, você vai realmente ver o contraste entre a Rússia do passado e não tão passado como caixotes de concreto da era soviética ao lado de igrejas majestosas. Yekaterinburg também possui um lugar significativo na história da Rússia como a cidade onde Nicholas II (lembra dele?) e sua família foram executados pelos Bolsheviks (dá para visitar o lugar exato).

 

Irkutsk e Listvyanka: Dezembro para sempre

A área no entorno dessas duas cidades é onde você realmente irá se apaixonar pela vastidão do território Siberiano. O maior lago de água doce do mundo, Baikal abriga uma variedade de espécies únicas assim como um ambiente selvagem realmente espetacular, então é hora de esticar as perna e revigorar-se com uma caminhada pela floresta (ou ainda melhor, explorá-la sobre um trenó puxado por huskies genuinamente siberianos).

 

Nada melhor do que um trenó puxado por huskies siberianos foto Svetlana S.

 

A região de Baikal é também onde os “Dezembristas”, um grupo de soldados russos que lideraram uma revolta contra o czar, foram exilados no início do século 19. Os exilados foram recebidos calorosamente por seus novos vizinhos siberiano, e sua história reverberou pela história russa, em parte inspirando a revolução que iria finalmente acabar com o império.

Não se deve sair da deixar a cidade sem experimentar uma banya, a sauna russa tradicional. Aqui, você se esbalda no vapor, ganha uma limpeza com folhas de bétula e degusta um saboroso chá. O banya no inverno é o que conta de verdade. Quando terminar, sugerirmos pular num montinho de neve ou tomar uma chuveirada gelada para refrescar. “Go with the flow, приятель”.

Curtindo a costa do Lago Baikal. Foto de Svetlana S.

 

 

Ulan-Ude: Onde Buda encontra Lênin

Uma centelha de budismo no meio da Rússia? Bem vindo a Ulan-Ude, uma das paradas mais singulares de uma rota já bastante singular. Essa cidade fascinante abrigada os Buryats, descendentes dos mongols e a maior população indígena da Sibéria. Alguns Buryat moram em “yurs” (cabanas tradicionais) e seguem os ensinamento do budismo tibetano e a história de como vieram a domar essas terras hostis merece outro post.

O outro motivo pelo qual Ulan-Ude é famosa fica na praça da cidade: um busto absolutamente enorme de Lênin. Pesando 42 toneladas e com quase oito metros de altura, o busto foi erguido em 1971 no centenário do nascimento de Lênin e é a maior cabeça de Lênin do mundo.

 

Aventura sobre os trilhos

Agora, a perspectiva de passar 17 dias à bordo de um trem pode parecer pouco atraente para alguns, mas você ficaria surpreso ao saber o quão suave é o passar do tempo. Isso porque a própria viagem de trem já é uma aventura. Ao longo do caminho, você encontrará russo de todos os tipos que estão pegando o trem simplesmente para chegar de “A” a “B” e, depois de um tempo, eles viram sua família. Desça até o vagão restaurante à noite e será muito provavelmente presentado com copo de vodca e convidado para uma cantoria.

 

Viajar pela Rússia no inverno é uma experiência que você nunca irá esquecer. Foto de Svetlana S.

A bordo do trem, tudo o que você não quer é conhecer a fúria das provodnitsas. Funcionárias da ferrovia, essa mulheres patrulham os carros e tem uma reputação bem merecida de serem rabugentas. Mas como todo mundo nessa parte da Rússia, você ficará surpreso por quão amigáveis elas podem ser. Uma dica: agrade sua provodnitsa com chocolate, vodka ou um pequeno presente. Será o melhor investimento que pode fazer.

Devido à distância considerável percorrida e a diversidade das experiências ao longo do caminho, viajar na Transiberiana é uma das poucas jornadas que ainda cabem no conceito de “épica”. As visões de florestas da taiga cobertas por neve, vilarejos isolados e cidades icônicas que parecem tiradas de um conto de fadas nórdico vão repaginar o seu instagram. E ser capaz de bater no peito e dizer “eu sobrevivi à Sibéria no inverno” vai te dar o direito de gabar-se para o resto da vida.

 

Tradução livre do texto original de Steve English.