Por duas semanas, a criadora da GoLocal, Roberta Guimarães, viveu de perto as riquezas da Costa Rica e voltou convencida de que, finalmente, encontrou o tal país do futuro!

O Vulcão Arenal em La Fortuna

Um belo dia, em La Fortuna, acordei cedo para uma prática de yoga de frente para o imponente vulcão Arenal. Havia pássaros cantando e voando por toda parte e a mata ao redor do riachinho do hotel vibrava com o som dos bichos. Era assim mesmo, incrivelmente verde e viva, que imaginava a Costa Rica. Para muitos apaixonados pelo Planeta como eu, esse é o modelo do país tropical que deu certo. Um pequeno país que conseguiu compatibilizar uma cobertura florestal de 75% com Índice de Desenvolvimento Humano bastante razoável, superior ao de grandes países como a China e Brasil. Mas seria uma falácia dizer que 25% do território sustentam toda a população. Apesar de uma agropecuária vibrante e de uma indústria bem estabelecida, inclusive de base tecnológica, as florestas são tidas pelos costa riquenhos como fonte de uma imensa riqueza. E não é para menos. O turismo contribuía com cerca 6,3% do Produto Interno Bruto em 2016 e não para de crescer. A Costa Rica já é o país mais visitado da América Central.

Passei os últimos três dias em Monteverde, região coberta pela famosa floresta nebulosa, onde o impacto positivo do turismo sobre a conservação ambiental e a renda local é impressionante. Propriedades de todos os tipos e tamanhos oferecem inúmeras atividades que vão desde caminhadas sobre pontes suspensas no dossel da floresta, observação noturna de animais, tirolesa, rafting, rapel, bangee jumping, exposição de animais silvestres, jardim botânico e por aí vai. Resultado: um funil interminável de dólares (praticamente a moeda local) para os bolsos dos donos e empregados das grandes reservas públicas e privadas que abundam por ali e conservam grande parte do território. A distribuição dos resultados do turismo também é digna de nota. A gestão da Reserva de Santa Elena em Monteverde, por exemplo, é feita por uma escola de ensino médio local e a doações para a entrada no Parque Nacional de Cahuita, na costa do Caribe, é totalmente gerida pela associação de moradores locais.

Rapel no Cânion Perdido, La Fortuna

Em Monteverde, participei de uma trilha noturna com guias muito bem preparados num sítio que associava a produção de café e banana ao turismo de observação de animais. Custou 25 dólares por pessoas e, acredite, havia quase tanta gente quanto árvores na floresta naquela noite.  Para que um proprietário desses ia querer desmatar sua terra? Nem pensar! Isso sem falar nas lojinhas como todo tipo de artesanato figurando bichos preguiça, pererecas coloridas, insetos, tucanos, beija flores, etc.. Quase tudo feito localmente e com muito bom gosto. É amor a biodiversidade com dinheirinho no bolso.

Isso sem falar que a Costa Rica é uma das democracias mais bem consolidadas da América Central e não possui exército desde 1948. O valor economizado com a manutenção de tanques e soldados é investido em educação, chegando a 30% do orçamento do país. Quando perguntado o que fariam em caso de invasão de uma nação estrangeira, meu guia respondeu: apelaríamos a uma corte internacional e à ONU. Não é para isso que ela serve? Simples e racional assim. Antes de vir até aqui, via a relação dos EUA com a Costa Rica como muito paternalista, mas a verdade é que o país, historicamente, tem prezado por sua soberania. O processo ladeira acima começou com o Presidente José Figueres que, além de abolir o exército, fez uma série de reformas sociais muito a frente de seu tempo. Hoje, a Costa Rica tem taxa de alfabetização de 97,8% e o PIB é de USD 11.630/capita (contra 91,3% e USD 9.821 do Brasil, respectivamente). Ou seja, a Costa Rica é exemplo de que a cobertura florestal definitivamente não é impedimento para o desenvolvimento de um país e, aparentemente, nem para a felicidade de sua população. O Relatório Mundial sobre a Felicidade de 2018 nomeou a Costa Rica como o país mais feliz da América Latina!

Rafting no Rio Pacuare

Por tudo isso, uma visita a esse país não é só uma viagem turística, mas uma experiência humana, principalmente para quem acredita que cada território deveria criar modelos próprios de desenvolvimento de acordo com suas aptidões naturais. E o Governo da Costa Rica sabe bem o tesouro que tem nas mãos. Todos os envolvido no turismo com quem conversei ressaltam o envolvimento positivo do governo na sua certificação e qualificação profissional. Afinal, é mais legal jogar-se de uma plataforma a 70 metros de altura com uma empresa certificada para bangee jump, ou não?

Não vou mentir: esse paizinho aconchegado entre o Caribe e o Pacífico me conquistou. Assim como todos do meu grupo, voltei para casa energizada, com um bom estoque de adrenalina e com o coração cheio de alegria por ter, finalmente, encontrado o país do futuro!