Entendendo a história imortalizada no filme de Angelina Jolie “First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers”

Existe um modo de conhecer o Camboja que considera e honra o passado trágico do país

O Camboja é o destino dos sonhos de muitos viajantes do mundo todo por causa de suas incríveis belezas (incluindo o maravilhoso complexo de templos de Angkor Wat) e de outras riquezas como a cultura, a arte, os mercados e a comida.

Mas o Camboja também é um país de grandes contrates que passou por períodos trágicos ao longo da sua história. Há uma forma de viver o Camboja que considera e honra esse passado e, ao mesmo tempo, faz o visitante entender porque esse país é tão especial.

A Magia de Angkor Wat

Os templos de Angkor Wat

Esse amplo complexo de templos do século XII próximo a Siem Reap é a maior atração para a maioria dos que visitam o Camboja. Explorar as ruínas fascinantes com um bom guia local que entenda a mitologia, história e arqueologia de Angkor pode fazer a diferença entre uma visita memorável e uma experiência transformadora.

Uma dessas guias, sobrevivente do Khmer Rouge, compartilha não apenas informações sobre a cidade-templo, mas também da história do Camboja, como essas se conectam e sobre o legado deixado pelo antigo império Khmer. Seu nome é Ponheary Ly. Ela não tem pressa de levar os visitantes de um ponto a outro e os deixa imergir em cada um dos templos. Sua própria paixão por eles é clara e se reflete no que diz. Ela conta como vinha a Angkor Wat quando criança para brincar entre as pedras e deixa claro que ela nunca se cansou de fazê-lo.

Ponheary, porém, tem dificuldade em olhar para as cenas de sofrimento e violência dentro do templo. Ela desvia o olhar dos entalhes na parede que figuram pessoas em agonia. “É muito difícil ver”, diz Ponheary, que testemunhou mortes demais ao longo da vida.

Ao encontrar algumas das muitas crianças pedintes na saída dos templos, Ponheary, uma ex-professora, revela utilizar parte do dinheiro que ganha como guia para ajudar algumas dessas crianças a frequentar a escola através da Fundação Ponheary Ly. É difícil para um turista escapar da pobreza do Camboja, mas o apoio a iniciativas locais tem forte impacto positivo tanto no visitante quanto no residente.

Apoiando o Turismo Sustentável

Uma trabalhadora da iniciativa “New Hope” da Fundação Planeterra

A fundação de Ponheary financia visitas escolares a Angkor Wat. Muitas crianças que vêm os templos todos os dias nunca tiveram a oportunidade de entrar neles e por isso desconhecem seu próprio patrimônio e cultura. Qualquer interessado pode também doar mochilas para os estudantes locais e cozinhar para eles.

Na associação “Life and Hope” em Siem Reap, os monges de Wat Damnak se empenham em quebrar o ciclo da pobreza entre mulheres e crianças, desenvolvendo cinco projetos educacionais e de assistência ao trabalho. Eles convidam os visitantes a doar comida, material escolar ou material para o curso de costura. Os visitantes também podem comprar os belos produtos feitos pelas estudantes do curso.

 Quem viaja com a GoLocal também recompensa o povo do Camboja ao visitar o projeto “New Hope” da Fundação Planeterra, um restaurante vocacional que educa e insere jovens no mercado de trabalho do turismo nos arredores de Angkor Wat. Cerca 1000 jovens já participaram do projeto.

A Escola e o Museu de Minas Terrestres do Camboja

Aki Ra foi uma criança soldado que não consegue lembrar o dia em que nasceu, mas que tem memórias claras de quando era obrigado a enterrar minas terrestres para o Khmer Rouge – e depois para o exercito vietnamita. No início dos anos 90, Aki Ra tomou a iniciativa de começar a retirar essas minas que tinham matado e desfigurado milhares de cambojanos inocentes. Desde então, ele e sua equipe já extraíram cerca 50 mil minas e armas não detonadas. Aki fundou uma organização sem fins lucrativos e um museu gerenciados por antigos soldados e vítimas de crimes de guerra.

O museu de Aki Ra educa visitantes sobre a importância de se extrair minas terrestres no Camboja. As minas terrestres impactaram a história e a cultura do país e estima-se que haja cerca 5 milhões delas ainda hoje no subsolo. O museu apresenta uma coleção impressionante com milhares de minas, exposições informativas e é associado a uma escola e centro de apoio para crianças em situação de vulnerabilidade.

O Templo Wat Thmei

Esse pequeno mosteiro serve como um memorial sóbrio das vítimas do genocídio nos campos de extermínio do Camboja. Wat Thmei foi um dos lugares onde ocorreram essas atrocidades e os monges ergueram aí um santuário de vidro contendo os crânios e ossos dos que morreram nas mãos do Khmer Rouge.

São coisas difíceis de ver e pensar a respeito. Mas é importante que os visitantes reconheçam o que aconteceu para que nunca aconteça de novo e para que nossa visita possa contribuir com quem tenta reconstruir o país.

 

Tradução adaptada do texto original e com fotos de Shelley Seale