Da boa comida às obras de arte, como aproveitar ao máximo sua estadia no país

Na minha última viagem à Itália, me vi considerando algo drástico: uma “paleo diet”, só com proteínas. Quando a pizza chegou à mesa, não muito depois do espaguete, comecei a me transformar em uma daquelas pessoas. Estava contando meus carboidratos. E o pior: precisava de uma calculadora.

Um fato sobre os italianos é que eles raramente fazem alguma coisa mais ou menos. Comem como se fosse a última vez, sempre têm tempo para uma bebida e fazem curvas tão rápido quanto lhe permitem seus extravagantes carros. E sempre foi assim. Quando você conhece as antigas ruínas romanas ou as construções religiosas mais recentes, logo percebe que os italianos levam tudo ao limite. Não há meias medidas aqui.

O que me leva de volta à Itália e ao porquê ela é uma dos destinos mais populares da Europa. Por muitos anos, a Itália sempre celebrou o que tinha de melhor. Ainda que a abundância desmedida possa surpreendê-lo no início – o tamanho das porções, os detalhes barrocos, as pinturas Bizantinas, os cafés a cada esquina – logo perceberá que é a sua qualidade o que realmente chama a atenção.

 

Comida – um assunto nada simples

As refeições italianas não são nada simples, com exceção do café da manhã (se você realmente achar que um cappuccino com croissant de nutella não contam). O almoço e o jantar são geralmente banquetes compostos de várias etapas, com um misto de pratos individuais e porções compartilhadas.

Para o italiano médio, o almoço é a maior e mais importante refeição do dia e pode começar com um sério antipasto de carne, queijo ou vegetais. O primeiro prato (primo) vem em seguida e geralmente consiste em um risoto ou uma pasta, enquanto o segundo prato (secondo), pode ser uma carne ou um peixe.

Foto de Michael Turtle

Se houver salada, ela vem depois. Para fechar, um doce, queijos, café e, por último, licor. Tudo isso provavelmente acompanhado de vinhos diversos, cada um combinado com o devido alimento.

O jantar pode ser um pouco menor quando feito em casa, contudo, ao jantar fora, o viajante médio terá dificuldade em evitar múltiplos pratos. Prefira só pedir uma pizza. Geralmente é grande o suficiente.

Enquanto muitos países pensam a pizza como algo cheio de ingredientes e feito para se compartilhar, as pizzas italianas costumam ter pouca coisa em cima e são individuais. Ao limitar os sabores, é possível apreciar melhor a qualidade de cada componente. Desculpa, mas não há pizza ao catupiry e muito menos com ketchup.

 

Vinho – um modo de vida

Se você ama vinho, estará em boa companhia! Cada uma das regiões da Itália se orgulha da sua própria variedade. Por isso, vale a pena perguntar sobre a especialidade local na hora de escolher. O sangiovese é o mais popular entre os toscanos, por exemplo.

Com a produção italiana responsável por cerca um terço dos vinhos do mundo, pode lhe parecer que não há mais nada a fazer na vida ao fim da viagem.  Os italianos não são beberrões indisciplinados e a bebedeira não é bem vista. Só que o vinho é onipresente.

Foto de Michael Turtle

Ainda que haja vinhos renomados disponíveis por preços bem razoáveis, até as marcas mais baratas têm melhores vinhos do que aqueles aos que estamos acostumados. Uma coisa fantástica sobre as pequenas cidades e vilarejos são as lojas que vendem vinho de barril por litro. Dá para levar sua própria garrafa e enche-la de vinho bom do mesmo jeito que um carro se abastece de gasolina no posto.

 

Monumentos históricos – tesouros incríveis

Mesmo que fique tentado a passar a maior parte do tempo bebendo e comendo, talvez deva considerar visitar alguns dos monumentos históricos da Itália. Mas seja seletivo, pois o país tem muitos!

Foto de Michael Turtle

Para alguns, é difícil escolher um lugar para começar, mas já caminhar pelo centro de qualquer cidade pode rapidamente se tornar um tour histórico completo. Cada igreja é única e plena de simbolismo e, apenas em Roma, existem cerca mil delas.

 

Com certeza haverá hordas de turistas nas atrações italianas mais populares. Afinal, elas são populares por alguma razão e seria uma pena não ver o Coliseu, o Vaticano, a Torre de Pisa, a Catedral de Florença ou os canais de Veneza. Então, se prepare, mas não se sobrecarregue.

Na Itália, há também lugares interessantes dos quais provavelmente nunca ouviu falar. Tente explorar algumas das muitas igrejas, museus ou ruínas que surgirem a sua frente e considere contratar um guia local ou juntar-se a um “free walking tour”. Você vai ficará feliz ao descobrir tantos tesouros a sua volta!

 

Arte – evite a fadiga dos museus

Conhecida por algumas das peças mais famosas do mundo, a Itália é o destino dos sonhos para que gosta de história da arte. Michelangelo, Rafael e o resto das Tartarugas Ninjas, Botticelli, Caravaggio, e a lista não acaba.

Qualquer viagem pelas atrações famosas da Itália será plena de oportunidade de ver essas obras primas. Contudo, assim como a visita às igrejas, é fácil ficar cansado e perder a dimensão do significado das obras que estará vendo.

Foto de Michael Turtle

 

Florença abriga mais de 50 museus, galerias e maravilhas arquitetônicas que fazem dela um lugar para visitar por semanas e ainda não ver tudo. Dá para passar um dia inteiro na Galeria Uffizi e outro na Galeria dell´Accademia. Aqui é importante complementar os trabalhos mais famosos – O Nascimento de Vênus de Botticelli ou o Davi de Michelangelo, por exemplo – com períodos menos conhecidos. Talvez não consiga lembrar-se de todas as obras, mas conhecer o movimento artístico como um todo irá ajudá-lo a apreciar melhor os muitos monumentos históricos italianos.

 

Natureza – fique atento ao chamado

Lógico que são as grandes ruínas romanas e as famosas obras de arte que a maioria das pessoas associa à Itália. Contudo, o país também apresenta uma incrível coleção de belezas naturais: das praias de Puglia no sul aos dramáticos penhascos de Cinque Terre na costa oeste e o estonteante Lago Como ao norte, sem nem mencionar a Sardenha ou a paisagem rural Toscana.

A boa notícia é que é fácil complementar sua viagem com a beleza natural da Itália. Logo no entorno dos vilarejos na Toscana ou na Umbria, já é possível explorar o interior digno de cartão postal dessas regiões. Passar uma noite num “agriturismo” local é uma forma maravilhosa de ver um lado diferente da Itália. E você pode ter certeza: comida e vinho nunca irão faltar!

 

Talvez as atrações naturais não estejam no topo da lista de alguém que visita a Itália pela primeira vez, mas pode ter certeza que os italianos aproveitam ao máximo as belezas de seu país. Então, no verão, enquanto algumas cidades menos turísticas podem ficar completamente desertas e com o comércio fechado, saiba a região costeira e as montanhas estão apinhadas de gente. É assim que a gente sabe que é bom, ou não é?

Uma ótima pedida para ir mais fundo na vida rural da Itália é experimentar a vivência local da GoLocal em uma propriedade rural  na Toscana.

 

É difícil errar!

Como viajante, é difícil errar na Itália. As oportunidades para comer, beber, relaxar, aprender e explorar estão por todas as partes e é grande a chance de se tropeçar em coisas legais por acaso. Por isso, uma das melhores maneiras de curtir o país é fazendo como os italianos fazem: jogar-se de cabeça e mergulhar até o fim. Vai fundo!

 

Tradução livre do texto original de Michael Turtle