O Butão mantém um status de lugar único no mundo – em parte por fazer da felicidade uma prioridade nacional.

Pense no Butão como uma Antártida cultural. As barreiras de entrada não são insuperáveis, mas são altas. Os voos para Paro, o único aeroporto internacional do Butão, são limitados a apenas duas companhias aéreas e possui uma desafiadora pista de pouso. Há também um valor mínimo estipulado para estadia, ainda que esta seja apenas uma limitação teórica, visto que os 250 dólares diários incluem alimentação e acomodação. E finalmente, há aquela mística butanesa: esse é um daqueles “últimos lugares”.

O Mosteiro“Tiger’s Nest”, no Butão

Veja você mesmo a pesquisa de como a felicidade é medida no Butão aqui. De acordo com o Relatório Mundial da Felicidade 2017 – sim, isso existe – a Noruega e a Dinamarca ocupam as primeiras posições no ranking mundial, mas foi o Butão o responsável pela ideia de medir a felicidade interna bruta criando o FIB. A manutenção da Felicidade Interna Bruta do país explica em parte porque o turismo no Butão é tão controlado.

A política de felicidade do Butão não é focada nos turistas, ainda que o turismo seja a segunda maior indústria do país depois da energia hidroelétrica. Mas o turismo é controlado de forma a mitigar seu impacto sobre a sociedade butanesa. Isso colabora para que a população seja calorosa e receptiva e para que haja diversas oportunidades de experimentar aquela característica favorita dos viajantes: a autenticidade. Os estudos também associam o acesso à natureza com a felicidade. A devoção butanesa à natureza – quase 70% do país é coberto por florestas – tem a ver com o controle dos recursos naturais de forma a preservar a beleza das paisagens locais.

A felicidade no Butão é coisa séria. O artista multimídia Jonathan Harris queria dar uma chacoalhar nessa solenidade. Em sua série Balões do Butão, ele entregou balões coloridos a várias pessoas e perguntou-lhes sobre sua vida – o que queriam para o país, o que as fazia felizes e seus desejos para o futuro.

O projeto de Harris nos dá a oportunidade de questionar nossas próprias expectativas sobre o Reino do Butão

Há algo profundamente pessoal em se escutar a voz do povo butanês. É um pouco bobo – de propósito – mas também tem o efeito de fazer o Reino do Butão parecer menos misterioso, habitado por pessoas de verdade. Pais que querem deixar terra para seus filhos. Meninas que gostam de brincar de se arrumar. Meninos que querem aprender a dirigir. As fotos, algumas delas bem engraçadas, também ajudam a romper a mística do país, fazendo dele um lugar menos exótico, um lugar habitado por pessoas como nós.

O projeto de Harri nos dá a chance de questionar as próprias expectativas sobre o que encontraremos no Reino do Butão. Descontruir nossas noções pré-concebidas sobre um lugar é sempre uma boa ideia. Com tanta mitologia em torno das políticas de felicidade, quebra o gelo ver um garoto vestido de punk dizendo que gosta de dançar com os amigos. Ele é como nós e poderíamos facilmente sermos amigos. A universalidade das pequenas experiências é uma daquelas conexões que as viagens nos ajudam a encontrar e que, muitas vezes, no faz feliz.

Tradução livre adaptada do texto original de Pam Mandel