“As montanhas do Norte da Tailândia oferecem um território lindo, mas desafiador, para caminhadas” – por Nicola Easterby.

 

Praias cheias, resortes de luxo, festas selvagens da lua cheia… Antes de viajar à Tailândia, essas eram as primeiras coisas que me vinham à mente quando pensava nesse balneário do Sudeste Asiático. Quando a oportunidade de visitá-lo finalmente surgiu, estava determinada a ver mais do que isso na Tailândia. Então, ao invés de me esticar nas praias de Phuket ou ir pra balada em Bangkok, parti rumo ao norte.

O Norte da Tailândia é de uma beleza inexplorada e meditativa.

Minha aventura começou em Chiang Mai, a capital do norte do país. Primeira missão: encontrar um vendedor de rua de Phad Thai. Isso não demorou muito, pois os famosos mercados noturnos de sábado em Chang Mai ficavam bem perto do hotel. Depois de devorar um prato fumegante de “noodles”, seguido pela sobremesa mais amada da Tailândia, arroz doce com manga, vagueei pelas várias barracas do mercado, admirando as coloridas quinquilharias e artesanatos em exposição. Não tardou até começarmos a sentir os efeitos do fuso horário e perceber que uma boa noite de sono cairia muito bem.

Acordei na manhã seguinte ao amanhecer, calcei as botas de trilha e joguei a mochila nas costas. Era hora de começar a verdadeira aventura! Saí para uma jornada de três dias pelas montanhas do norte, caminhando por remotos vilarejos de tribos locais para experimentar como é a vida na Tailândia longe da agitação das cidades.

O começo da trilha era a quatro horas de carro de Chiang Mai por uma estrada cheia de curvas pelo meio das montanhas. Quando finalmente chegamos à entrada da trilha, encontramos Ramsay, nosso guia, que nos guiaria através das montanhas pelos próximos dias.

Viajar para longe da agitação urbana da Tailândia compensa a caminhada.

Do momento que começamos a caminhada, senti que os próximos dias seriam desafiadores. A trilha em si não era tão difícil, mas as condições eram extremas, com temperaturas ao redor de 36 graus. Depois das primeiras duas horas caminhando em pasto aberto e florestas plantadas, com o sol batendo nas costas, estávamos todos bastante acabados.

Por sorte, nesse ponto chegamos a uma clareira. Aqui, fomos agraciados com duas visões maravilhosas: de um lado, vimos uma série de penhascos dramáticos, cobertos por árvores. Do outro, havia uma pequena cabana de bambu onde pararíamos para almoçar. Fizemos um delicioso banquete de curry de abóbora, omelete, arroz e papaia colhida das árvores ali perto.

Depois do almoço, seguimos por vales e campos de arroz por mais algumas horas até chegar ao vilarejo da tribo Lahu, onde passaríamos a noite. Fomos recebidos na vila pelos locais com água super geladinha e mais papaia antes de sermos levados aos nossos aposentos.

Assim são os despertadores no norte da Tailândia.

Na manhã seguinte, fomos acordados bem cedo por um despertador alto e insistente. Por “bem cedo” quero dizer às quatro da manhã, e por “despertador” quero dizer vários galos. Esse despertar matutino resultou num nascer do sol incrível. Depois do café da manhã de batatas ensopadas em leite de coco fresco e arroz, saímos para nosso segundo dia de trilha.

Nossa caminhada nos levou a uma floresta densa e estar sob as sombras das árvores tornou a caminhada muito mais agradável do que no primeiro dia. Durante o caminho Ramsay nos deu um curso intensivo de sobrevivência na selva. Ele nos mostrou várias plantas comestíveis e medicinais, como fazer um revolver à pressão, e nos deu dicas de como acender um fogo. Almoçamos empoleirados numa pedra sobre um pequeno poço, no qual mergulhamos logo depois. Apesar de não ser exatamente uma piscina perfeita (pois havia mais peixe do que água nela), foi um refresco muito bem vindo.

A certo ponto, chegamos ao nosso segundo vilarejo, a comunidade do povo Kariang. Nossa visita caiu bem no Ano Novo Tailandês, e fomos convidados pela nossa família anfitriã para participar de uma cerimônia muito especial para a qual toda a família ser vestiu com roupas tradicionais e se juntou para uma grande ceia. Mais cedo nesse mesmo dia, as famílias do vilarejo tinham cada uma matado um porco (fiquei feliz por não estar ali para ver), e estes foram servidos no jantar. Junto com o porco, também provamos um tipo de uísque de arroz feito em casa. Depois do jantar, houve um pequeno ritual onde os mais velhos amarravam cordinhas nos punhos dos membros mais jovens da família para lhes dar sorte no ano novo. Fomos convidados a participar no ritual e ganhamos nossas próprias cordinhas. Foi uma experiência e tanto.

Viajar pelo norte da Tailândia é uma experiência e tanto.

Na manhã seguinte, nos despedimos da vila Kariang e saímos para nosso último dia de caminhada. Andamos por algumas horas ao longo de um rio tortuoso, cruzando com búfalos asiáticos aqui e ali. No final da trilha, saltamos dentro de uma van que nos aguardava, felizes por termos sobrevivido a três dias de caminhada no calor.

Mas a aventura não havia acabado. Tínhamos mais uma parada antes de chegar à Chiang Mai: a Caverna Tham Lot que, com 1.666 metros de comprimento, é um dos sistemas cavernícolas mais impressionantes da Tailândia. Um guia local veio nos encontrar e nos guiou com sua lanterna a gás à medida que adentrávamos o breu profundo da caverna. Pelas próximas duas horas, subimos por degraus de bambu e desviamos das estalactites e estalagmites. O rio Nam Lang corria pelo centro da caverna. Lá pela metade do nosso percurso na caverna, subimos numa jangada de bambu e assim descemos o rio.

Quando chegamos de volta ao hotel em Chiang Mai, ainda me vibrava de excitação pelo que havia vivido nos últimos três dias. Talvez pelas imponentes montanhas ou a paisagem luxuriante, a culinária de dar água na boca ou o acolhimento relaxado dos locais que encontramos pelo caminho, mas o norte da Tailândia conseguiu roubar meu coração. Na verdade, estou já conspirando para o meu retorno.

 

Tradução livre do texto de Nicola Easterby, fotos de Polkadot Passport.