Para um país menor que Minas Gerais, Marrocos tem uma boa coleção de patrimônios já reconhecidos pela UNESCO, dos 6 quais estão na viagem Mistérios do Marrocos.

 

“Passe pela loja com os potes de cobre,” ele repete.

“Depois vire a direita no beco com luminárias coloridas na esquina,” lembra em seguida.

“E então estará por ali em algum lugar depois de todas as lojas de temperos.”

O escritor Michael Turtle precisou se lembrar de instruções assim enquanto explorava a velha Medina de Fez, uma enorme e inebriante cidade marroquina com um desenho que parece o de um grande jogo de palavras-cruzadas. É muito fácil se perder – apenas duas curvas e já pode se despedir do seu senso de direção.

No coração de Fez, os sons e odores preenchem a atmosfera. Becos estreitos e construções altas fazem com que não haja muita luz. De qualquer jeito, a maior parte da área do mercado é coberta, o que torna impossível usar o sol para se orientar.

A medina, ou “antiga cidade”, de Fez, não mudou muito em cem anos. É verdade que algumas das barracas hoje vendem capinhas de celular e eletrônicos, mas ainda é mais provável encontrar um burrico carregando vegetais pelos corredores. É por causa dessa autenticidade no planejamento e uso do espaço que a Medina de Fez foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

O Marrocos tem nove Patrimônios da Humanidade no total, e Michael conseguiu visitar todos eles como parte de um desafio de conhecer o maior número possível no mundo todo. Segundo o escritor, sua paixão pelos Patrimônios da Humanidade explica-se por eles serem a melhor forma de entender a história e a cultura de um país. Além da medina de Fez, existem outros oito Patrimônios da Humanidade do Marrocos.

 

2. A medina de Marrakesh

Uma das cidades mais populares do Marrocos também tem uma das medinas mais vibrantes. Turistas e locais se encontram na grande praça Jemma El-Fna para saborear e admirar os artistas de rua, mas basta descer qualquer uma das ruas e você logo estará entre mercados e casas, num caos parecido com o centro de Fez. Se conseguir achar o caminho até Ben Youssef Madrasa, entre, pois o prédio é lindo por dentro. No entorno da medina de Marrakesh estão também o Bahia Palace e o El Badii Palace, ambas construções maravilhosas que demonstram a opulência e a riqueza que um dia imperou nessa importante cidade comercial.

 

3. A cidade histórica de Meknes

Enquanto Marraquesh é o tipo de cidade onde você pode passar alguns dias explorando o mercado, a cidade de Meknes, não distante de Fez, é repleta de locais históricos. Foi aqui que o implacável e ambicioso líder Moulay Ismail construiu sua capital no século XVII. O Mausoléu de Moulay Ismail é símbolo dessa grandiosidade e os estábulos e celeiros no entorno da cidade mostram o quanto Meknes foi rica um dia. É, porém, chocante entrar na prisão subterrânea onde até 100 mil escravos ficavam acorrentados à parede durante a noite depois de trabalhar o dia todo construindo o legado do líder.

 

4. A medina de Tétouan

Depois da agitação de Fez e Marrakesh e da grandiosidade de Meknes, sente-se certo alívio ao visitar a cidade de Tétouan no norte de Marrocos. Essa é uma das menores cidades antigas do Marrocos, mas muito significativa devido à sua proximidade da Europa. Dá quase para ver a Espanha do outro lado do mar, e, historicamente, Tétouan foi uma ponte entre aquele país e o norte da África. A medina é circundada por uma parede antiga e só se consegue entrar por um dos grandes portões. Às segundas-feiras, o mercado semanal acontece nas ruas mais baixas e as barracas transbordam pelo portão nas áreas ao redor.

 

5. El Jadida

Dirigindo-se para o sul pela costa do Marrocos, passando por Casablanca, chega-se a El Jadida. Sobre um afloramento à beira mar, o antigo forte de Mazagan é minúsculo quando comparada a outras cidades muradas listadas como Patrimônio da Humanidade e leva apenas 30 minutos para ser percorrida. Contudo, não há como negar sua importância. Construído pelos portugueses no início do século VXI como um posto avançado na rota comercial da costa oeste africana, seus muros imensos como falésias de onde se observam vistas incríveis do oceano, nunca foram penetrados por inimigos durante o tempo em que ficou ativo.

 

6. A medina de Essaouira

Uma das medinas mais bonitas do Marrocos fica ainda mais para o sul ao longo da costa, em Essaouira. Próximo ao lado externo dos muros fica o porto, que é uma profusão de azuis – o céu, o mar, os barcos e até as redes dos pescadores são azuis. É a antiga cidade que detém o status oficial de Patrimônio da Humanidade, mas a praia também é muito popular, inclusive para a prática de surf. Durante os meses mais quentes, há tantos surfistas no mar quanto camelos na areia. Existem muitos lugares de praia bacanas no Marrocos e esse é definitivamente um dos melhores.

 

7. A capital, Rabat

A capital do Marrocos, Rabat, contrasta fortemente com as antigas cidades no resto do país. É uma cidade moderna e eficiente, onde ruas largas passam entre grandes edifícios do governo. Rabat também é reconhecida como Patrimônio da Humanidade devido à mistura entre modernos palácios imperiais construídos no início de 1900 pelos franceses e cidadelas antigas e estruturas islâmicas de 800 anos antes. O velho forte de Chellah é fascinante, ainda que esteja quase em ruínas. Já a Mesquita Hassan que parece estar em ruínas, na verdade não foi terminada e possui uma única torre proeminente numa ponta, dominando a paisagem. O “kasbah” à beira mar na hora por do sol também é uma grande atração.

 

8. Ksar of Aït-Ben-Haddou

Ksar of Aït-Ben-Haddou fica no deserto, sobre as Montanhas Atlas e distante das cidades mais turísticas do Marrocos. Não existe nada como ele no país, o que o torna um lugar muito interessante de se visitar. Trata-se de um forte construído no século XVII com barro seco densamente misturado com palha e cascalho. Ele desponta da encosta de um grande monte e o melhor modo de explorá-lo é subindo os velhos degraus dentro do forte e passando pelos diferentes níveis com pequenas casas e lojas dentro da cidadela de terra.

 

 

9. O sítio arqueológico de Volubilis

Séculos antes de qualquer dos outros Patrimônios da Humanidade sequer existirem, Volubilis era um grande e próspero assentamento. Construído pelos romanos dois mil anos atrás como posto avançado no Norte da África, as terras férteis ao redor era perfeitas para a agricultura e a cidade prosperou e se expandiu. Está em ruínas agora, mas ainda dá bem para imaginar como era cheia de gente. Os espaços públicos, circundados pelas casas dos cidadãos mais abastados, devem ter sido um cenário e tanto.

 

Volubilis é longe da medina de Fez, tanto em termos geográficos quando culturais. O que, de novo, faz parte do charme do Marrocos. Esse belo país norte africano, com uma mistura de influências europeias e islâmicas, oferece oportunidades de explorar tanto a história quanto a cultura contemporânea.

 

Tradução livre do texto original em inglês de Michael Turtle, publicado em 04 de janeiro, 2016 no blog da GAdventures.