6 coisas que vocês gostaria de saber sobre os Maori da Nova Zelândia

 

“He aha te mea nui o te ao? He tangata! He tangata! He tangata!” Qual é a coisa mais importante do mundo? São as pessoas! São as pessoas! São as pessoas! – Provérbio Maori

Essas sábias palavras de Shiloh, um jovem líder Maori, expressa o espírito do seu povo. Os Maori acreditam que são as pessoas que importam, são as pessoas que fazem um país e são elas que fazem a diferença.

Nellie Huang, blogueira de viagem, visitou uma vila Maori próximo à cidade de Rotorua durante uma viagem à Nova Zelândia. Essa é uma das duas vilas Maori remanescentes no país. Ela surpreendeu-se com a aparência do jovem líder Shiloh, com um boné de beisebol na cabeça, mas logo percebeu que sua sabedoria ia muito além da idade. Suas palavras eram poéticas, poderosas e profundamente espirituais.

Durante essa viagem, Nellie fez várias perguntas e escavou fundo na cultura Maori e seu estilo de vida. Essas são algumas das coisas que ela aprendeu de Shiloh sobre os Maoris:

 

1. A população diminui em número mais a presença aumenta

De acordo com Shiloh, os Maori são hoje 20% da população da Nova Zelândia, ou seja, apenas 800 mil pessoas. Cerca 250mil deles vive hoje na Austrália onde há mais oportunidade de emprego. Enquanto a população Maori cai devagar, a presença deles no país é mais forte que antes. Há mais e mais ênfase na preservação da cultura indígena. Os Maoris aprendem sua língua e sua cultura na escola e são estimulados a assumir sua herança cultural. Muitos deles também estão ativamente envolvidos nos esportes e na política da Nova Zelândia.

 

2. Guardiões da Terra

Em 1840, o Tratado de Waitangi foi firmado entre o Governo Britânico e os chefes Maoris da Nova Zelândia. O tratado estabeleceu um governador britânico na Nova Zelândia e reconheceu a propriedade da terra dos Maoris. Hoje, os Maori ainda possuem 80% da terra na Ilha do Sul.

 

3. Uma cultura respeitada

Os Maori são um povo respeitados na Nova Zelândia. Não há nenhuma diferença em status entre neozelandeses Maori e não Maoris. Eles recebem a mesma educação e os mesmos privilégios que todos os outros. Inclusive, a língua Maori é uma das línguas oficiais no país, junto com o inglês.

Shiloh ressalta que, como Maori, tem muito orgulho de fazer parte da tribo indígena mais respeitada no mundo. Muitas indígenas ao redor do mundo sofreram nas mãos do colonialismo. Quando perguntado como os Maoris conquistaram seus direitos, Shiloh responde: “Nós lutamos. Somos um povo guerreiro e lutaremos sempre pelo que acreditamos”.

 

4. Raízes polinésias e canibalismo

A história cultural Maori está fortemente ligada às raízes polinésias. Seus ancestrais vieram da polinésia de barco e chegaram à Nova Zelândia há mais de mil anos e ainda hoje compartilham aspectos culturais e linguísticos, como organização social e religião, com os polinésios.

Uma das práticas mais interessantes que os neozelandeses compartilham com os polinésios é o canibalismo. Comer os inimigos não era tanto uma fonte de alimento, mas principalmente um instrumento de muito poder sobre as tribos rivais. Os inimigos eram desmembrados e cozinhados em fogo lento sobre um hangi, um fogareiro ritual.

 

5. A espiritualidade corre nas veias

O centro da vida da comunidade Maori é a marae, um terreno onde fica a wharenui, a casa de reuniões. Esse é o local onde os habitantes se encontram para discutir assuntos e honrar os ancestrais. O interior da casa de reuniões é decorado com máscaras finamente esculpidas. Shiloh explica: “Acreditamos que o sangue dos nossos ancestrais ainda flui por aqui.

Logo antes de entrar no marae, canta-se uma bela canção de boas vindas à à casa espiritual.

 

6. Pessoa da terra

A despedida de uma vila Maori feita com a saudação tradicional, o hongi, encostando-se o nariz de uma pessoa na testa da outra. Dessa forma, o ha (sopro da vida) é intercambiado e misturados, o que significa o compartilhamento de duas almas.

Após essa despedida, não se é mais considerado um manuhiri (visitante) e sim um tangata whenua, uma pessoa da terra.